Resistência

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PRC

Não é porque eu não quero,

Que não podemos mudar.

Não, não é porque quero,

Que podemos!

O nosso país navega na lama,

Não mais nas espumas poéticas

De minha infância.

Meu país carece de alma,

Mais do que lutas,

Precisamos de amor!

Mas como resistir a essa dor?

A dor de ver bandeiras assassinas,

Onde a ideologia vale mais que a vida,

Onde os olhos se fecham

Para os enfermos indigentes,

Os viciados como zumbis,

Andam cegos sem saber aonde ir.

Como resistir a dor?

Quando estamos presos

E os bandidos livres,

E hoje quem é bandido?

E hoje quem é herói?

E por que precisamos deles?

Ah, como resistir dói!

E os discursos falsos,

Misturados a dólares e sangue,

Aquele sangue que eles não veem,

Porque não está em suas portas,

E sim, no chão, nas grades,

Nas paredes dos hospitais,

Onde a desonestidade

Que não sabemos mais de quem

Roubam-nos a paz

E mata todos os dias

Um filho de alguém!

Como resistir, como?

Se todos os dias a fome aperta,

E aquele gigante do planeta,

Não é mais da infância do poeta,

E como dói essa saudade!

 

Por Paulo Carvalho, jornalista, poeta e escritor.

A Constituição acima dos dignos e dos indignos

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Percival PugginaSe o Diabo veste Prada, as esquerdas vestem Armani, consomem caviar, têmpenthouses na Flórida e triplexes no Guarujá. Curiosamente, porém, lhes são atribuídas importantes virtudes na relação com os ocupantes dos mais miseráveis porões da vida social. É um fenômeno real: não é o pobre que precisa da esquerda; é a estratégia e o projeto político da esquerda que precisam do pobre na sua pobreza. Duvida? Vá a Cuba e à Venezuela e depois nos conte. A aparente empatia entre a esquerda e a pobreza não se compara à que une seus mais poderosos representantes aos donativos, mesadas e jatinhos disponibilizados pelo capitalismo de compadrio, construído com dinheiro do condomínio Brasil, ou seja, com o dinheiro de nossos impostos. Enquanto faz juras de amor aos pobres, pisca o olho e vai para a cama com os mais inescrupulosos bilionários do país.

A conversa entre Michel Temer e Joesley Batista faz lembrar muito, mas muito mesmo, certas gravações colhidas em grampos com pessoal do PCC. Ouvindo a confusa loquacidade do empresário, construindo frases de um modo meio cifrado, a gente fica à espera do momento em que vai chamar Temer de "mano". E este se comporta como tal, embora alguém do PCC tivesse, ligeirinho, percebido a armação e dado uma curva no escandaloso encontro.

O presidente caiu como um pato em pleno voo e a crise política instalou-se no mais inoportuno dos momentos, quando o país começava a se aprumar para uma gradual emersão desde as profundezas da pior crise de nossa história econômica. Quem perde com essa nova enxurrada de lama? Há quem, feliz da vida, diga que perde a base do governo, que perdem os "golpistas".  Eu vi essa expressão nos rostos de diversos parlamentares quando a notícia da gravação chegou ao Congresso Nacional. De fato, embora quase todos os que observei tivessem contas a acertar com o mesmo STF, a nova situação os excitou positivamente. "Enfim, uma notícia boa!" - pareciam dizer.

Boa? Eis onde quero chegar. Nas horas subsequentes, ocorreram manifestações. Pontos de concentração, em várias capitais do país, pintaram-se de vermelho. Era marcante o tom político, partidário e militante que caracterizava quem a elas afluiu. A atitude, as bandeiras, as faixas e cartazes funcionavam como carteiras de identidade do público presente. O povo, aquele que "vive e move-se por vida própria", na feliz definição de Pio XII, estava em casa, chocado, desolado, porque inteligentemente presumiu as penosas consequências daquelas revelações. O povo sabe que fora, acima e além das mesquinharias políticas, é ele quem perde. Ele perde sempre que o espírito público é comprado e o interesse nacional, vendido.

É hora de prestar atenção a quem tenha atitude responsável, esteja pensando no Brasil, na imagem do país, nas necessárias reformas, na retomada do crescimento em favor dos desempregados, dos endividados, dos jovens da geração nem-nem. E é uma boa oportunidade, também, para monitorar e, em 2018, varrer da cena política corruptos, demagogos, populistas, oportunistas. E como os temos!

Nesta quadra amargamente pedagógica da vida nacional resta-nos a Constituição. Silenciosa, ela se ergue acima dos dignos e dos indignos. Há que segui-la, sem casuísmos, para a necessária substituição do presidente, forçada ou voluntária, repudiando quem queira aprofundar a crise e convulsionar ou parar o país.

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Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

 

 

Causas e Revoluções

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Paulo Carvalho Face

 

Busquei a causa e só encontrei revoluções

Dentro de mim e longe dos outros

Em meus oratórios noturnos.

Em meus sonhos mortos!                                                                   

Busquei a causa e só encontrei revoluções.

Mas não existe mudança além de minha janela

Não existe Sol, e aquela camisa amarela,

Perdeu a cor, perdeu a luta, perdeu a fé!

 

Os momentos são outros e as canções também

O amor daquela mulher passou como uma paisagem

Miragem de mim defronte ao espelho

E as bandeiras recolhidas viram lençóis para mendigos.

 

Nossos sonhos são causas impossíveis

Eu causei o medo nas avenidas.

Eu não calei os canhões!

Eu causei a guerra inocente de estudantes

Recolhi panfletos e guardei as pedras

Atentados de uma vida sem explicações.

 

Minhas mudanças correm para o banheiro

E meu prazer se transforma em risco

Hoje sou mais que um prisioneiro

E somente nas palavras me arrisco

A ser eu mesmo, sem causa, nem revoluções!

 

* Paulo Carvalho é jornalista, poeta e escritor.  

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@ Editorial - A Retórica dos 14

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Logo jornal A Notícia do Vale

- uma homenagem ao jornal A Notícia do Vale -

 

O jornal do São Francisco A Notícia do Vale está completando 14 anos de existência. Fundado no dia 15 de maio de 2003 esse noticioso circula em mais de dez municípios do Vale do São Francisco, e é o pioneiro na região em notícia on line implantando um site de notícias diárias, com acesso recorde de visitantes todos os dias.

No endereço www.anoticiadovale.com o leitor vai encontrar notícias locais, nacionais e internacionais, além de coberturas regionais de cidades do Vale, como Juazeiro; Petrolina; Sobradinho; Casa Nova; Remanso; Pilão Arcado; Campo Alegre de Lourdes; Sento-Sé; Curaçá; Uauá, entre outras. Um site dinâmico, com opinião de diversos colaboradores em política, economia, educação, cultura e saúde.

A Notícia do Vale em 14 anos de existência mantendo uma circulação mensal, resistindo com edições impressas, experimentando novos formatos e plataformas digitais, socializando e compartilhando informações com perfil no Facebook, grupo de WhatsApp e outros, um dos jornais mais lidos do Vale tem mantido leitores fiéis, colaboradores e anunciantes com a fidelidade de poucos.

A importância de se manter um jornal impresso em cidades interioranas, com a mesma qualidade e profissionalismo, onde o custo ainda é superior a de criação de blogs, portais e páginas em redes sociais, tendo todo seu material gráfico produzido na cidade-sede Juazeiro/Petrolina, mas primando pela qualidade de sua diagramação/arte e editoria, é um desafio constante, enfrentando todas as dificuldades que um noticioso de papel tem que lidar diante das novas tecnologias.

Jornalismo de verdade, quem o pratica? Quem? Quais veículos são tão independentes economicamente, capazes de se manter com isenção e praticar a imparcialidade sem se comprometer em hipótese nenhuma com permutas, com as “ofertas” do poder socioeconômico e com a publicidade travestida de notícia, como forma de continuar no mercado?

Não, caros leitores, por mais que queiram, (e olha que queremos muito isso), é difícil, muito difícil praticar este jornalismo ideológico, desejado por tantos profissionais de imprensa, perseguido como bandeiras de luta, porque de fato, notícia tem que noticiada, com o perdão da suposta redundância, e nos tempos atuais, de crises antes nunca reveladas de maneira escabrosa, cínica e escancarada, onde as instâncias da Justiça Federal são questionadas e suas atitudes suspeitas, o jornalismo ético, imparcial e combativo está cada vez mais esquecido, e os interesses econômicos acima de qualquer verdade.

Onde vamos parar? Os otimistas diriam em um país melhor, livre de toda e qualquer corrupção, e os pessimistas, ou melhor, os realistas, diriam que num Brasil parado mesmo, sem avanços sociais consistentes e sem acréscimo de valores.

Política e Mídia sempre caminharam juntas. Houve um tempo que em lados opostos, a chamada “imprensa subversiva e comunista”, mas hoje, é tão amiga do poder que a gente nem sente que é imprensa. E esses malfeitores da vida pública? O que fizeram da política? Uma senhora ilustre do STF, presidente da Suprema Corte, ministra Carmem Lúcia, afirma com a categoria que lhe é peculiar: “A política virou política para os políticos e não política para o Brasil”.