A Solidão do Nego D’Água

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Nego DÁguaDistante das margens,

Do leito do rio, teu protetor!

Mesmo que da morada faça

Abrigo ao terror,

És uma criatura inocente!

Teu assombro é encanto,

História de nossos avós,

Barcas fantasmas, sereias

E serpentes!

Por que tu andas fora do leito?

E este leito agora chora,

A dor do pescador,

Que no peito sente,

Sentindo que foi embora!

Tuas diabruras, brincadeiras,

Que enfeitavam noites inteiras,

Eram contos para crianças

Que dormiam em esteiras

Como estrelas a iluminar,

Os caminhos do rio, teu lar!

Oh, São Francisco!

Que dor! Que arrepio!

Do vapor, o apito!

Da serpente, a ilha!

Do trem, a velha estação!

Do Nego D’Água, solidão!

 

* Paulo Carvalho - editor do jornal A Notícia do Vale

 

 Foto: Aryellson Alves 

 

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