Heroísmo de uma Guarda-mirim

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João Baptista HerkenhoffLeio nos jornais que uma guarda-mirim, de catorze anos, salvou a vida de uma criança de cinco anos, vítima de afogamento. O fato ocorreu em Cachoeiro de Itapemirim.

Karen Cristina de Oliveira é o nome da heroína-mirim. Ela estava passeando na localidade “Gruta”, no interior do município, quando percebeu que uma menina se afogava numa piscina. Incontinenti retirou a menininha da água e aplicou-lhe massagem cardíaca.

Segundo o médico que viu a criança-vítima, logo em seguida ao episódio, teria ocorrido óbito se o socorro não tivesse sido prestado ato contínuo.

Pelo seu ato de grandeza Karen foi homenageada pela Prefeitura com um diploma de Honra ao Mérito.

Numa hora dessas a gente sente orgulho de ser cachoeirense. Teve razão Rubem Braga quando disse: “Modéstia à parte, sou de Cachoeiro de Itapemirim.”

Esta auspiciosa notícia traz a minha lembrança os tempos em que fui Juiz de Direito em São José do Calçado (ES).

No dia dezessete de outubro de 1971 criei, na comarca, a Guarda-Mirim. Essa instituição tinha como finalidades proporcionar a crianças em risco de desagregação social:

a) uma ocupação útil;

b) a consciência de sua validade pessoal;

c) o sentimento de pertença a um grupo.

O uniforme da guarda-mirim foi concebido com arte, bom gosto e carinho pela Professora Therezinha Juliana Almeida da Fonseca.

Toda a diretoria da Guarda-Mirim prestava serviços gratuitamente. As reuniões eram sempre à noite, privando os voluntários do prazer da televisão. O registro da gratuidade é importante para se contrapor à luxúria financeira dos tempos atuais.

O primeiro guarda-mirim chamava-se João Batista, por coincidência xará do juiz.

Era um menor e havia sido envolvido em crimes, por influência de perversos maiores. A experiência de guarda-mirim mudou a rota de sua vida. Prestou serviços junto ao fórum, onde podia ter contato diário com o magistrado, promotor, advogados. Estudou e fez o curso primário completo. Trabalhou numa oficina e aprendeu rudimentos de mecânica.

Era tão sensível e puro que chorou copiosamente no dia em que o Juiz que o fizera guarda-mirim despediu-se da comarca.

Há muitas coisas ruins nisto de ser idoso. Não se anda com facilidade, as escadas são sempre um perigo, a audição e a visão não respondem com solicitude quando convocadas para o desempenho do papel que lhes cabe.

Entretando, uma vantagem compensa os incômodos: o idoso tem histórias para contar, pode testemunhar, pode ensinar aos mais jovens que a virtude suplanta o vício, os galardões morais são mais valiosos que qualquer tesouro.

João Baptista Herkenhoff é juiz de Direito aposentado (ES), escritor e professor. Ministra cursos de pequena duração sobre Direitos Humanos.

Carta aberta do MST

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CARTA ABERTA SOBRE A AMEAÇA DE EXPULSÃO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA ACAMPADOS NO PROJETO NILO COELHO E PROJETO SALITRE

mstNós Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais, do Movimento Sem Terra (MST), que ocupamos o Acampamento Irani de Souza, no Projeto Senador Nilo Coelho, município de Casa Nova e o Acampamento Abril Vermelho, no Projeto Salitre, em Juazeiro – BA vimos tornar público nossa situação de urgente ameaça de “despejo” com uso de força policial contra nossas famílias, conforme os seguintes fatos:

1. Informamos que a CODEVASF, detentora da posse desses imóveis, de propriedade da UNIÃO, obteve na Justiça Federal de Juazeiro, sob o Processo Nº 3.274-63.2012.4.1.3305, uma Ordem de reintegração de posse, com uso da força policial, para que se faça o despejo de mais de 240 famílias no Acampamento Irani de Souza, no Projeto Nilo Coelho, em Casa Nova – BA. Esclarecemos que esse processo judicial foi realizado, sem que as famílias fossem intimadas ou tivessem direto à defesa e, em nenhum momento, o MST foi ouvido para quaisquer esclarecimentos;

2. O MST relatou o caso na 836º Reunião da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, realizada em Salvador – BA, no último dia 13 de maio de 2015, quando a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República recomendou à CODEVASF, a suspensão do mandado de reintegração de posse e o representante da mesma, Dr. Leandro Sérgio P. Gaudenzi assumiu o compromisso de fazer gestão, com urgência, no sentido de a CODEVASF discutir a suspensão do cumprimento do mandato, mas até a presente data de 18 de maio, não obtivemos nenhuma resposta por parte da CODEVASF;

3. Durante a reunião, chegou às mãos do Major Marcos Vinício Vergne de Carvalho, Coordenador de Mediação de Conflitos do Comando de Operações da Polícia Militar da Bahia, outro mandado de reintegração de posse para o “despejo” das 487 famílias que ocupam o Acampamento Abril Vermelho, localizado no Projeto Salitre, onde atualmente são cultivados mais de 980 hectares, com plantios como cebola, melão, mamão, goiaba, melancia, entre outras culturas, além da criação de galinhas, ovinos e caprinos;

4. Diante disso, vimos por meio da presente carta, tornar público, o clima de “tensão” e medo que atinge nossas famílias, sob a ameaça de perder toda a produção de nossas roças, meio de sustento econômico de nossos trabalhadores e trabalhadoras, que já investiram mais de 3 milhões de reais na terra, gerando mais de 2 mil empregos diretos e indiretos e o estado de choque que se encontram nossas crianças, diante da possibilidade de serem expulsos e não saberem onde irão morar e/ou estudar, uma vez que temos atualmente uma escola funcionando no acampamento com cerca de 140 crianças matriculadas, mantida pela Prefeitura Municipal de Juazeiro;

5. Deixamos de público, nosso desejo de que esse mandado de reintegração de posse seja revisto e reafirmamos nossa luta para que todos os trabalhadores e trabalhadoras tenham onde morar, trabalhar e produzir. Lutar, Construir Reforma Agrária Popular!

Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) Regional Norte / Bahia

DENATRAN - ESCLARECE ABALROAMENTO

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IMPORTANTE LER!

Se você bater em uma moto, ou uma moto bater em seu carro, não será uma simples colisão de trânsito.

Você é enquadrado no art. 303, do CTB.

Então as orientações abaixo são extremamente úteis e vale a pena serem
repassadas.

São pencas e pencas de T.C.O.'s do art. 303, do CTB, que chegam por mês, principalmente envolvendo moto taxistas... esses são os piores, pois vão querer te cobrar os prejuízos da moto e os dias que ficou parado sem ganhar dinheiro.

ABALROAMENTO EM MOTO NÃO É COLISÃO.

É ATROPELAMENTO!
FAÇA BOLETIM DE OCORRÊNCIA!!!

PONHA ISSO NA CABEÇA!

ORIENTAÇÃO PARA QUEM TEM CARRO! E para amigos de quem tem!!!

ISSO ACONTECE!

Abalroamento com moto não é colisão. É atropelamento.

É um aviso das Seguradoras:

"Como advogados sempre nos indagam sobre coisas parecidas, sugerimos o seguinte:

Registrar, fotografar (agora com celular é fácil até fazer um filminho), pegar nome de testemunhas.

Leiam o relato abaixo, de um sinistro com um de nossos segurados:

"No mês de abril, o carro do meu filho foi abalroado na TRASEIRA, num farol fechado, por uma motoqueira com outra na garupa. A moto caiu e a garupa ficou com a perna embaixo da moto.

Meu filho filmou a placa da moto e obteve telefone com a garupa.

Telefone inexistente.

Um funcionário da CET, que estava próximo, acionou o resgate e amotoqueira mandou cancelar.

Como ela não quis ser socorrida, o marronzinho pediu para que saíssem do local, sem antes orientar meu filho de que seria interessante registrar um BO. Foi o que fizemos na mesma tarde.

Um mês depois, recebi telefonema "em casa" da dita cuja, querendo fazer um acordo, dizendo que o conserto da moto estava por volta de R$ 800,00 e que a garupa machucou muito a perna, estando 20 dias sem poder trabalhar.

Por ela não ter aceito o atendimento do resgate, disse que não teria acordo nenhum.

Mais um mês se passou (Junho) e recebi uma intimação policial, na minha casa, para me apresentar no distrito de Perdizes para prestar depoimento, por "OMISSÃO DE SOCORRO".

Chegando lá, soubemos que havia sido registrado um BO e elas tinham passado, 4 dias depois, no IML para fazer exame de corpo de delito.

Fizemos os depoimentos, meu filho como condutor, eu como proprietário do veículo, o carro passou por perícia policial e o caso está com minha advogada para provar que não houve omissão de socorro.

Felizmente o nosso BO foi feito antes do delas e tínhamos o nome do policial que atendeu a ocorrência, bem como sabíamos a hora exata que o chamado do resgate foi cancelado. Mesmo assim, a dor de cabeça e
trabalheira estão sendo grandes".

Agora, leia atentamente o texto abaixo:

Orientação das seguradoras

Todas as vezes que os senhores se envolverem em acidente de trânsito, cujo terceiro seja um motoqueiro, façam o BO (boletim de ocorrência), independentemente de serem culpados ou não.

Têm ocorrido fatos em que o motoqueiro é o culpado e tenta fazer um acordo no local, diz que está bem e não quer socorro médico.

Só que, depois, ele vai a um distrito policial, registra o BO e alega que o veículo fugiu do local sem prestar socorro, cobrando, na justiça, dias parados, conserto da moto, etc...

Na maioria dos casos, as testemunhas do motoqueiro são outros motoqueiros.

Isto é um fato, pois está ocorrendo com muita frequência Portanto, não caia na conversa do motoqueiro, que diz não ter acontecido nada.

Em um dos casos recentes a pessoa envolvida foi até a delegacia registrar BO e, eis que, quando chega à delegacia, lá estavam os tais amigos do motoqueiro tentando registrar BO de ausência de socorro.

ISTO É IMPORTANTE !!!

QUEM NÃO FOR MOTORISTA, REPASSE AOS AMIGOS.

ABALROAMENTO EM MOTO NÃO É COLISÃO. É ATROPELAMENTO!

PONHA ISSO NA CABEÇA! OLHO VIVO!

 

Erick Alberto Almeida/Foto: Divulgação

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Mar de Maio

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Mar de Maio

(Às mães que perderam os seus filhos)

                                              

* Paulo Carvalho

Vês, Maria?

Nosso sonho acabou!

E aquele canto de amor,

Que mais parecia mar

Naufragou!

E agora, o que vamos fazer?

Se a tortura desta manhã,

Obscurece o meu entardecer!

Se as lágrimas já não descem do meu rosto

Escorrem entre as entranhas da minha infância

E mostram meus momentos de dor e angústia!

Vês, Maria?

Nosso sonho acabou!

E aquele canto de amor,

Que mais parecia mar

Naufragou!

Minha mãe tece calada minha indumentária de morte

Sem saber que os lobos estavam à espreita

De sua presa inocente.

E esse céu aberto que não vejo mais

E a paz disposta entre cruz e flores

Numa lápide fria...

Quem sabe minha alegria se transforme em luz

E eu possa ao menos enxergar o amanhecer do dia

Quando aliviar em outros braços

As minhas dores!

Vês, Maria?

Nosso sonho acabou!

E aquele canto de amor,

Que mais parecia mar

Naufragou!

 

* Paulo Carvalho é jornalista, poeta e escritor

Mar de Maio

O preço da solidão

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O preço da solidão

“A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais”

(Arthur Schopenhauer)

solidaoO mundo moderno é uma clausura, cada vez mais as pessoas se isolam ou quando não por si só, são obrigadas a viver ou conviver com a multidão isolada de si mesma, como “só na multidão”, e ainda tem a “solidão a dois”, a “solidão tecnológica ou virtual” (nesse caso por opção própria ou por demência mesmo) a “solidão da velhice” (embora nem sempre seja opcional) e até mesmo a “solidão dos animais”, muitos deles desprotegidos, desprezados pelos seus donos na própria casa onde moram, isso quando não são totalmente abandonados, e aí talvez a solidão se encontre com outra solidão, muito comum nos animais abandonados...

Se formos enumerar a solidão não chegaríamos a um quantitativo certo, mas a solidão assim como pode ser um mundo fechado, também pode ser a saída para muitas dores, para muitos problemas. Tem gente que até aprecia a solidão, consegue resolver os problemas que a vida impõe num breve tempo de solidão. Mas há quem confunda em está só e ser só, está em momento de solidão (para uma reflexão, por exemplo) ou permanecer nessa solidão levada por um abandono, esquecimento e até morte. Existem muitas leituras para a solidão.

Sentir-se só na multidão, eu diria ser um dos exemplos mais difíceis de explicar, no entanto, existe uma explicação ou nem precisaria se levarmos em conta as opiniões, aquelas em que você defende um tema onde todos são contrários, e ainda te ignoram, te isolando como um quadro na parede, e o pior, um quadro virado de costas para a parede, como se mostrasse a você, que nem olhar suas ideias mereceria atenção, quanto mais discuti-las ou ser centro de algum debate, mesa redonda, coisas do tipo. Eu diria a “solidão das ideias”, (não compartilhadas, é claro).

 

Aí viriam tantas outras solidões, e citando poetas do passado, como o poeta britânico, Lord Byron , “Na solidão é quando estamos menos só...”, e poetas de gerações que ainda resistem e influenciam as novas, como Renato Russo, numa citação em sua música “Esperando por Mim”, onde claramente mostra a sua solidão, e porque não dizer, a solidão do mundo!

 

O mal do século é a solidão, cada um de nós imerso em sua própria arrogância, esperando por um pouco de afeição”. A solidão também deixa marcas profundas, e entre o “bem-me-quer e o malmequer”, vem o desejo de está com alguém ou amar alguém sozinho, e ainda tem a famosa indireta direta como “melhor sozinho do que mal acompanhado”.

 

A solidão não escolhe idade, sexo, raça ou cor, ela vem pra todos, e em todos os casos existem casos de solidão. Seria possível a solidão em crianças e adolescentes? Sim, seria. Os mais jovens gostam de fraudar a solidão, até disfarçam muito bem, mas ela está ali, virtualmente sendo testada o tempo todo, e como na atualidade é tão “normal” aquele “convívio” entre amigos, no bar, na praia, no colégio..., turmas da era digital, nos WhatsApp da vida... Existe solidão pior do que essa? Talvez, quem sabe...

 

E a “solidão das ruas?” Ah, essa não podemos esquecer. Tantas manifestações, tantos apelos, tantas vozes não ouvidas, tanto silêncio e tanta SOLIDÃO!

 

Editorial