Divórcio

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divórcio e separação 20740724Quantos lares têm sido destruídos simplesmente por mero capricho, irresponsabilidade, paixão, promoção, status, fama...! Onde reinou tanta felicidade, harmonia, paz e amor, há bastante melancolia, fadiga, descrença, tristeza, lágrimas, revolta, depressão [...]

Mas o que fazer? Chorar, reclamar, abater-se, suicidar-se? Claro que não! A vida continua e você tem tantos valores que certamente lhe ajudarão a superar essa fase triste e bastante delicada. Imagino que não deve ser fácil. Mas, não é impossível. Pense nisso!

Lembre-se que separação sempre existiu. A diferença é que o casal às vezes vivia debaixo do mesmo teto porque a igreja, a sociedade e os próprios pais não admitiam que se separassem porque somente a morte poderia separá-los.

Inútil seria citarmos exemplos de vida de alguns casais como modelo padrão a ser cumprido, pois cada ação exige uma reação, por isso, omitimo-nos. Elogiar ou criticar alguém por algum comportamento que causa ou que causou impacto, choque e revolta aos seus parentes, filhos e à sociedade, também seria inviável.

Não queremos com isso, justificar atitudes como o homicídio, por exemplo, nem tão pouco as agressões sejam elas quais for, mas não competem a nós, seres humanos, capazes de práticas muito mais cruéis que as lidas, vistas e ouvidas, julgarmos os nossos próximos.

De uma coisa, todos sabem: não tem sido fácil para ninguém. Ora, se para nós, adultos, essa situação tem causado transtornos, depressões e até prejuízos morais e sociais, imaginemos os reflexos que o divórcio poderá causar às nossas crianças, aos pré-adolescentes e adolescentes?

E os pais devem viver em “pé de guerra” por causa das possíveis consequências que poderão recair sobre os filhos? Não! De maneira nenhuma! O que se deve fazer é agir com “moderação”, respeito”e muito “amor” aos filhos, pois a separação estará existindo entre o marido e a mulher: o pai e a mãe e ela não é o fim de todo o relacionamento, uma vez que os filhos sempre serão filhos. Não existe ex-filho(a) e sim ex-marido, ex-mulher, ex-sogra...

Quando a mulher pede o divórcio

Infelizmente por conta dessa atitude, algumas mulheres têm sido vítimas de agressões morais e físicas de seus maridos que chegam ao extremo: matam-nas, pois não aceitam a separação e muito menos por ser iniciativa delas. E assim agem, não porque as amam e sim; pelo espírito possessivo - fruto de uma educação machista e de um sistema ainda hoje com fortíssimos traços de autoritarismo, predominante no seio.

Conviver com essa mudança não deve ser fácil, principalmente para muitos homens que se dizem modernos e democráticos. Algumas mulheres têm enfrentado dificuldades de adaptação a essa nova realidade, mesmo quando o processo é litigioso, pois quando não satisfeitas com a separação, usam os filhos como peças do seu jogo.

Raramente a ideia de separação conjugal, satisfaz aos cônjuges. Um é o idealizador. O outro, pelas circunstâncias, simplesmente confirma muito embora tal atitude para ele seja intolerável e injustificável. A tentativa de reconciliação é inevitável, mas nem sempre há um resultado positivo.

Chegará um momento em que não só os corpos estarão separados, como também algunsprojetos e sonhos do casal serão interrompidos. E os filhos? Esses também terão que se ajustar a essa nova realidade sem direito a opções, apenas obediência? Não deveria. Porém, essa é a dura realidade nos inúmeros casos de separação.

Tudo se torna muito complicado e difícil de lidar. A sensação é de total desconforto, insegurança, revolta, angústia, tristeza... É como se a casa desmoronasse sobre a cabeça daquele (a) que “deve” atender ao pedido do outro.

Para muitos é como se o mundo desabasse sobre suas cabeças. Mas, sem saber “de onde” e “como”, tentam continuar vivendo, recorrem a religião, a amigos ou a parentes, as noitadas, terapias, dedicação aos filhos e ao trabalho, [...]. Porém, há quem procure “refúgio” ou “forças” na macumba, na bebida alcoólica, nas drogas, na prostituição, em Deus – através da religião -. Todavia, tornam-se mais infelizes ainda e sem perspectivas de melhorias e de vitória, exceto quando reconhecem que o sacrifício de Jesus na Cruz do Calvário foi para lhes garantir a vida eterna e por meio dessa. Ora, mas por que não está feliz quando se recorre a Deus, através da religião? Porque estar acontecendo. É preciso por os pés no chão e lembrar-se de Deus, porém é necessário e muito mais urgente parar, refletir, procurar compreender o porquê de cada atitude do seu cônjuge, fazer um autocrítica do seu próprio comportamento como companheiro (a), na tentativa de se encontrar, conhecer a si próprio e movimentar-se no sentido de recomeçar uma nova vida, mesmo distante do (a) bem amado (a) e não continuar com as mesmas práticas ou os mesmos hábitos. E se houver reconciliação, também agir dessa forma.

Sobre essa última alternativa, a psicóloga Daniele Vefago, diz que os veículos de comunicação, principalmente pela temática de algumas novelas, as quais, abordam cada vez mais o tema, influenciando os telespectadores ao divórcio. “O que se percebe muito nos dias de hoje é que os pais não querem mais tentar uma reconciliação. Na visão deles, é muito mais fácil se separar, do que dar uma nova chance. No entanto, se esquecem de que os filhos sentem muito a separação e na maioria dos casos, as crianças acham que elas são as culpadas pelos pais terem se separado”, avalia Daniele. Ainda segundo a psicóloga, mais de 90% das crianças tem esperanças de que os pais possam retornar, mas nem sempre isso acontece. “Antigamente casava para a vida toda; hoje não; casa-se até onde dá para levar a relação”, completa. Mas ela ressalta que existem casos em que a separação é a melhor solução, quando a violência doméstica, por parte do marido, acaba prejudicando a convivência familiar. É preciso saber lidar também com as reações dos filhos, para que os papéis não se invertam, ou melhor, evitar que eles escolham o que é melhor para nós, ao ponto de traçarem o nosso destino. Sabemos que desde o nascimento, algumas crianças reagem prontamente às reações de luz, som, temperatura, etc, outras, no entanto, permanecem insensíveis. Porém essas diferenças fisiológicas, determinadas geneticamente.

Quantos lares têm sido destruídos simplesmente por mero capricho ou irresponsabilidade... Ou por uma simples paixão ou promoção, status, fama....! Onde reinou tanta felicidade, harmonia, paz e muito amor, hoje, melancolia, fadiga, descrença, tristeza, lágrimas...Mas o que fazer? Chorar, reclamar, abater-se, suicidar-se? Traria a pessoa amada de volta ou será um sinal de covardia e de insensatez! Quem sabe, nessa fragilidade, descobrir-se-á a potencialidade que existe dentro de si e fará da fraqueza fortaleza, da perca descobrirá o verdadeiro amor! Interessante seria uma reforma no código civil e na constituição federal, quanto a essas atitudes, evitando assim, males a inúmeras famílias e à sociedade. Faz-se necessário, aprender a lidar com o “novo” para não pagar um preço social altíssimo e adquirir ou acumular dívidas educacionais incorrigíveis que lhe aprisionarão a sentimentos de culpa e remorsos pela iniciativa do pedido de separação. Que esses conhecimentos, somados às práticas e o espírito renovador, desperte o interesse pelo novo, o diferente, o atual, se preciso, desprender-se de costumes sem esquecer as suas origens, raízes e acima de tudo, amar os familiares, os amigos, etc.

Não esqueçamos que separação sempre existiu entre os casais. A diferença é que, atualmente, oficializam-se. Nós, mulheres, conhecidas como sexo frágil, sensível e dependente, façamos valer os nossos direitos, também para decidirmos pelo divórcio ou não, mesmo sabendo que ainda seremos criticadas e alvo de piadas e comentários indecorosos e frustrantes. Muitas de nós temos dependência financeira e isso é o que nos impulsiona a tomarmos decisões, anteriormente privilegiadas aos homens. Infelizmente por conta dessa atitude, algumas mulheres têm sido vítimas de agressões morais e físicas de seus maridos que chegam ao extremo: matam-nas, pois não aceitam a separação e muito menos por ser iniciativa delas. E assim agem, não porque as amam e sim; pelo espírito possessivo - fruto de uma educação machista e de um sistema ainda hoje com fortíssimos traços de autoritarismo, predominante no seio.

Conviver com essa mudança não deve ser fácil, principalmente para muitos homens que se dizem modernos e democráticos. Algumas mulheres têm enfrentado dificuldades de adaptação a essa nova realidade, mesmo quando o processo é litigioso, pois quando não satisfeitas com a separação, usam os filhos como peças do seu jogo.

Portanto, mesmo necessitados também de apoio e de estímulos positivos, diante de uma separação, que haja provocação e que se proporcionem oportunidades de integração à família para se alcançar harmonia e felicidade. Saber conviver com o “diferente” requer atenção, estudo e acima de tudo, humildade, renúncia e altivez. Caso contrário, será decepcionante e muito doloroso. E não esqueçamos que, educar ou cuidar dos filhos sem o outro cônjuge, não será fácil. A compreensão pretendida, o carinho e o respeito, a vez e a voz no relacionamento marido x mulher, consegue-se facilmente ou num prazo longo, nos braços de alguém, porém nem sempre há reparos sociais e morais provocados por uma separação. Ela poderá desmoronar todo o alicerce, impossibilitando qualquer atitude de transformação ou restauração. Muito cuidado para não confundirmos banalização com democracia nas nossas ações ou extremismo ao invés de complacência. Experimentemos renovar o relacionamento, respeitando a individualidade e a limitação de cada membro de nossas famílias e sejamos passivos, tolerantes e compreensíveis, mas nunca extremistas, pois pode colocar tudo a perder. Difícil? Que nada! Que se inicie pelo matrimônio.

Inútil seria citarmos exemplos de vida de alguns casais como modelo padrão a ser cumprido, pois cada ação exige uma reação, por isso, omitimo-nos. Elogiar ou criticar alguém por algum comportamento que causa ou que causou impacto, choque e revolta aos seus parentes, filhos e à sociedade, também seria inviável. Não queremos com isso, justificar atitudes como o homicídio, por exemplo, nem tão pouco as agressões sejam elas quais for, mas não compete a nós, seres humanos, capazes de práticas muito mais cruéis que as lidas, vistas e ouvidas, julgarmos os nossos próximos. De uma coisa, todos sabem: não tem sido fácil para ninguém. Ora, se para nós, adultos, essa situação tem causado transtornos, depressões e até prejuízos morais e sociais, imaginemos os reflexos que o divórcio poderá causar as nossas crianças, aos pré-adolescentes e adolescentes? E os pais devem viver em “pé de guerra” por causa das possíveis consequências que poderão recair sobre os filhos? Não! De maneira nenhuma! O que se deve fazer é agir com “moderação”, respeito “ e muito “amor” aos filhos, pois a separação estará existindo entre o marido e a mulher: o pai e a mãe e ela não é o fim de todo o relacionamento, uma vez que os filhos sempre serão filhos. Não existe ex-filho (a) e sim ex-marido, ex-mulher, ex-sogra...Os filhos devem mais do que nunca estarem unidos a nós, pais. Atenção, carinho, compromisso e responsabilidade serão indispensáveis a eles, filhos, nesse momento de transição e turbulência. É fácil dizer isso, sim. Difícil é a prática, também admitimos, mas não é impossível! Alguém tem culpa por essa fase, sim. E os filhos vão pagar por isso? É justo? E é fácil pensar e praticar justiça com espírito vingativo nesse momento em que o mundo parece desmoronar na cabeça de alguém? Não deve ser, mas as nossas crianças, os nossos jovens não devem ser penalizados por nós! Não basta os transtornos que a própria separação provoca?

 

 Autor desconhecido

Tributo a cora coralina

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Escritor LuizEm doze de abril de 85 o Brasil perdia a sua poetisa mais sensível, mais autêntica e mais verdadeira: Cora Coralina. Estamos em abril e é difícil não lembrar de Cora, difícil não falar dela, difícil não reler os seus poemas. Eu queria escrever uma crônica em homenagem a ela, a grande poetisa do Brasil, mas não gosto de falar de perdas e acabei não escrevendo. E eis que me deparo com o texto de Cissa de Oliveira, minha vizinha lá no portal da nossa amiga Irene Serra do Rio Total: "Um Doce para Cora Coralina". Como não lê-lo e não aplaudí-lo? Além de falar de Cora, ela fala dos doces da doceira de mão cheia que ela era - e eu acabo de voltar da serra gaúcha, onde mora minha sogra, que faz doces fantásticos de figo, de pêssego, de marmelo, de morango, no fogão à lenha, não aquele de barro e pedra, como o de Aninha, mas à lenha, também. E então chego a sentir o gosto do doce de laranja. Então cá estou eu, para agradecer à Cissa por lembrar de Cora e para me juntar à homenagem tão merecida.

São trinta anos de ausência da Aninha da poesia forte e despretensiosa, poesia que transmite a sua mensagem de amor à terra e à natureza, ao ser humano e à vida. A verdade é que Cora continua viva, cada vez mais viva nos seus poemas e na sua prosa. E no sabor dos doces que a Cissa me trouxe à boca.

A poetisa maior da casa velha da ponte, em Goiás publicou seu primeiro livro aos sessenta e sete anos: "Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais". Depois vieram "Meu Livro de Cordel", "Vintém de Cobre - Meias Confissões de Aninha", "Estórias da Casa Velha da Ponte", "O Tesouro da Casa Velha da Ponte", "Os Meninos Verdes", "A Moeda de Ouro que um Pato Comeu". Essa, a obra que transformou Aninha no ícone da poesia brasileira que ela é hoje.

Em 2001, foram encontrados cerca de quarenta poemas inéditos de Cora, durante o trabalho de reconstituição de seu acervo. Esse material foi transformado em livro e foi publicado pela Global, editora que publicou quase todos os títulos de Cora. O livro é "Vila Boa de Goyaz" e os poemas que o compõe exaltam a cidade de Goiás, onde a poeta nasceu. Ela fala da Goiás que conheceu no início do século passado, das ruas que mudaram de nome, mas não mudaram de jeito, da linguagem impressa em cada toque dos diversos sinos existentes na cidade e fala, também, da casa velha da ponte. Um canto de amor à cidade de Goiás.

Foi-se o corpo singelo da grande poeta e da grande mulher-menina (ou menina-mulher?), mas a poesia viva ficou. A poesia que é o coração, a alma de Aninha, a nossa Cora Coralina eterna, que continuará viva para sempre nos versos e na prosa que ela deixou.
Dos inéditos encontrados de Cora, tomo a liberdade de transcrever aqui "Coração é terra que ninguém vê", pois não dá pra falar de Cora sem ler uma criação dela: "Quis ser um dia, jardineira / de um coração. / Sachei, mondei - nada colhi. / Nasceram espinhos / e nos espinhos me feri. // Quis ser um dia, jardineira / de um coração. / Cavei, plantei. / Na terra ingrata / nada criei. // Semeador da Parábola... / Lancei a boa semente / a gestos largos... / Aves do céu levaram. / Espinhos do chão cobriram. / O resto se perdeu / na terra dura / da ingratidão // Coração é terra que ninguém vê / - diz o ditado. / Plantei, reguei, nada deu, não. // Terra de lagedo, de pedregulho, / - teu coração. // Bati na porta de um coração. / Bati. Bati. Nada escutei. / Casa vazia. Porta fechada, / foi que encontrei..."

 Sobre o autor: Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC, com 34 anos de atividades e editor das Edições A ILHA, que publicam as revistas Suplemento LIterário A ILHA e Mirandum (Confraria de Quintana), além de mais de 50 livros. Foi eleito a Personalidade Literária de 2011 pela Academia Catarinense de Letras e Artes e ocupa a cadeira 19 da Academia Sul Brasileira de Letras. Foi o representante de Santa Catarina no Salão Internacional do Livro de Genebra, com o lançamento de 3 obras suas, participação na antologia Varal do Brasil e com a divulgação de escritores que não puderam ir, com a revista Suplemento literário A ILHA. Editor de conteúdo do portal PROSA, POESIA & CIA. e autor de 29 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no exterior. Colaborador de revistas e jornais no Brasil e exterior, como Jornal do Brasil, Diário de Notícias, Correio do Povo, Folha de Pernambuco, O Estado, de Fortaleza, A Noticia, Noticias do Dia, Folha de Pernambuco, Roraima em Foco, Folha do Espírito Santo, etc. – tem trabalhos publicados na Índia, Rússia, Grécia, Estados Unidos, Portugal, Espanha, Cuba, Argentina, Uruguai, Inglaterra, Espanha, Itália, Cabo Verde e outros, e obras traduzidas para o inglês, espanhol, bengalês, grego, russo, italiano -, além de colaborar com vários portais de informação e cultura na Internet, como Rio Total, Telescópio, Cronópios, Alla de Cuervo, Usina de Letras, etc. Leia o blog Crônica do Dia, em Http://luizcarlosamorim.blogspot.com Visite o Portal PROSA, POESIA & CIA. do Grupo Literário A ILHA, em Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br Lá está a revista Suplemento Literário A ILHA, edição 132 de Mar/2015, com muita prosa e poesia e muita informação literária e cultural. E a revista eletrônica Literarte, com mais contos, poemas e crônicas e muito mais informação. Além de dezenas de seções como Grandes Mestres da Poesia, Autores de SC, Literatura Infantil, antologias como Todos os Poetas, O Tema do Poema, Feira de Contos, Crônica da Semana, etc. Vem aí o número 6 da revista Mirandum, da Confraria de Quintana.

Juízes divergentes

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João Baptista HerkenhoffUm grande esforço é realizado pela Justiça no sentido de alcançar a convergência.
Neste sentido, procura-se a uniformização dos julgados. Com este objetivo são estabelecidas, por exemplo, súmulas da jurisprudência dominante. Alguns tribunais adotam, como critério para a promoção dos juízes de grau inferior, verificar o número de suas sentenças confirmadas e reformadas. Alcançar um bom índice de decisões mantidas pelo superior instância seria prova de mérito.
 
Num certo aspecto a sintonia jurisprudencial é útil porque contribui para a segurança do Direito. É aconselhável que os cidadãos, as pessoas físicas e as pessoas jurídicas saibam se um determinado ato, uma determinada conduta, um determinado contrato coere ou não com as normas vigentes.
 
Sob um outro ângulo a fidelidade a princípios rígidos atenta contra o bom Direito. Uma coisa é a norma abstrata. Outra coisa é a situação concreta.
Quando nos deparamos com a norma abstrata cabe seguir o conselho latino: dura lex, sed lex (a lei é dura, mas é lei). À face, entretanto, da dramaticidade da vida, o princípio do “dura lex” pode conduzir à injustiça.
          
Se devesse sempre prevalecer o brocardo “a lei é dura, mas é lei”, seria mais econômico substituir os magistrados por computadores.
Todos aqueles que um dia foram juízes, promotores, advogados, ou frequentaram os fóruns, saberão recapitular casos em que, para fazer imperar o Direito, foi necessário abandonar a hermenêutica literal.
 
Como condenar uma mulher que registrou filho alheio como próprio, ofendendo um artigo do Código Penal, sem considerar que se tratava de uma pessoa ignorante que agiu com nobreza de intenção, sem prejudicar quem quer que seja!
Como condenar aquela mocinha que, estuprada, praticou o aborto, sem procurar entender o sofrimento que a atormentava?
 
Como não desprezar a solenidade das salas de audiência e chorar (sim, o juiz é humano, o juiz chora), como deixar de chorar quando um ex-preso entrega ao magistrado a medalha de Honra ao Mérito, conquistada na empresa onde trabalhava, declarando: “doutor, esta medalha é sua; se naquela tarde eu tivesse permanecido na prisão eu seria hoje um bandido.”
          
Como deixar de lado o aspecto existencial do encontro das partes em geral com o juiz e reduzir esse encontro a um ato meramente burocrático, mecânico, frio. Como recusar o aperto de mão, a aproximação física, o olhar, todas as formas de expressão de humanidade para, em sentido contrário, colocar um biombo, uma barreira, uma proibição, separando o comum dos mortais da divindade que veste toga!
 
João Baptista Herkenhoff é magistrado aposentado (ES), professor e escritor.

Minha homenagem a Carlos Augusto

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blogqspcarlosaugusto Foto Farnésio SilvaFiquei muito triste ao receber a notícia da morte do nosso grande amigo, radialista Carlos Augusto Amariz, primeiro locutor a falar em um microfone de rádio na cidade de Petrolina, portanto, quem abriu o caminho pra gente passar e exercer essa profissão que ele também nos ensinou a amar.

Pioneiro e único, sábio defensor de nossa cultura e costumes, quem não se lembra da frase “A natureza não sabe se defender, mas sabe se vingar”, essa foi a forma simples que Carlos achou de protestar contra aqueles que agridem incessantemente nosso meio.

Seguindo os ensinamentos do saudoso rei do baião Luiz Gonzaga, que aliás deve dar uma festa ao receber no céu nosso Carlos, ele também abraçou a causa em defesa do jumento, sempre que esses animais eram sacrificados Carlos protestava em alto e bom som “o jumento é nosso irmão”.

Carlão, como nós os chamávamos,foi o criador do “Zé trovão”, logo cedo as informações das chuvas em toda a região e o “Zé Trovão” nos fazia mentalizar a alegria do povo sertanejo em época de inverno. Também foi ele quem idealizou a Missa do Vaqueiro e a famoso Jecana, que sob o seu comando se consolidou como um dos principais eventos da programação junina de nossa cidade, foram 43 edições animando nossa gente e fortalecendo nossa cultura.

Apaixonado pelo nordeste,Carlos Augusto, sempre procurava valorizar as coisas da região principalmente a música regional, neste ofício foi maestro, tanto em seu programa diário, quanto no irreverente “Malhadão”, que era apresentado na porta da Rádio Grande Rio AM aos sábados reunindo músicos, dando oportunidade a prata da casa, aos que não tem como divulgar seu trabalho, era ali, naquele espaço, que Carlos se realizava colocando em um só lugar nossos artistas populares e o povão, o sertanejo simples, trabalhadores, homens e mulheres que dançavam, aplaudiam e se divertiam no mais autêntico palco da vida.

Como traduzir a falta que esse homem fará? Como preencher esse legado de amor e dedicação construído de forma simples, mas responsável? Como prestar uma homenagem a quem tanto nos ensinou, mas não nos disse como deveríamos conviver sem sua presença?

É por deveras lamentável, triste, doído, mas não devemos ter medo se Deus está conosco. A Bíblia diz em Salmos 23:4 “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.” 

Vai com Deus Carlos, ecoa tua voz pelos céus, faz festa com a tua chegada a casa do Senhor e fique tranquilo, pois teus ensinamentos foram feitos sobre a rocha e serão honrados pelos teus discípulos que têm a responsabilidade em dar continuidade ao exercício dessa profissão, árdua mais apaixonante. Que Deus o tenha!

Waldiney Passos

Radialista – Rádio Jornal Petrolina e Vale da Sorte

Assessor de Imprensa da Câmara Municipal de Petrolina

As Flores da Páscoa

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Escritor LuizChega a Páscoa e a quaresmeira, tipo de jacatirão que tem esse nome porque floresce na quaresma, está em plena florescência, aqui no sul, talvez a temporada com mais flores que já vi. Este tipo de jacatirão, a quaresmeira, tem as flores menores do que o jacatirão nativo, que floresce no final da  primavera e vai até meados do verão, mas é mais colorido, tem cores mais vivas, mais vibrantes. Então não dá pra não notar uma quaresmeira fechada de flores. O manacá-da-serra, outro tipo de jacatirão que floresce no inverno, irmão gêmeo da quaresmeira, floresce mais de uma vez por ano e se confunde com a quaresmeira.

Fico encantado com as manchas vermelhas que as quaresmeiras deixam na mata, nos jardins, nas beiras das estradas. Mas não é um encantamento comum, simples, é um encantamento mágico, pois meus olhos são atraídos pelas cores das pétalas vermelhas e roxas, no meio do verde, e meu olhar flutua em direção a elas, como se minha alma seguisse com ele em direção às cores. E então meus olhos brilham como faróis e o raio de luz é o canal de ligação com meu coração.

É assim que me sinto com a generosidade das flores do jacatirão, encantamento que envolve meu olhar, minha alma, meu coração.

Mas parte deste encantamento, ainda, é o porquê de eu chamar o jacatirão de outono de “flor da Páscoa”. Acho que ele é a flor de Cristo, também porque ele está florescido em dezembro – o jacatirão nativo - quando nasce o Menino Jesus para todos nós. A generosa, colorida e festiva árvore floresce no Natal, quando o Menino nasce e floresce na Páscoa, quando aquele Menino, feito homem, é cruscificado e sobe aos céus. O jacatirão está presente tanto na chegada quanto na partida do Menino, filho do Pai. Não é uma flor divina?

Páscoa, então, é renascimento, renovação, a festa da libertação, festa da cor do jacatirão. Época de repensar a vida e renová-la, de refletir sobre o Menino que se tornou homem, morreu e ressuscitou, elevando-se ao céu, provando aos homens que há uma força divina, maior, regendo nossos destinos.

De maneira que Páscoa é fé em uma força maior que rege nossos destinos e é  também jacatirão, a flor que anuncia o Natal e enfeita a Páscoa, que anuncia a chegada e a elevação do Menino filho de Deus.

 

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br