CORES PELOS CAMINHOS

Ligado . Publicado em Artigos

Escritor LuizVoltando de Santos, de um cruzeiro no navio Costa Fascinosa que não recomendo, em Fevereiro, fico extasiado com o espetáculo descortinado diante de meus olhos ávidos de cor e luz. Falo do jacatirão nativo que vejo explodir em flores no fim da primavera e no verão, aqui em Santa Catarina e no Paraná, onde os vejo sempre.

Sabia que eles existiam pelo Brasil afora e agora sou testemunha: eles são belíssimos e em grande quantidade nas matas cortadas pelas rodovias do norte do Paraná e principalmente em São Paulo. Depois de Registro e até perto de Santos o quadro é de uma beleza grandiosa: o jacatirão domina a paisagem, enchendo a mata verde de manchas vermelhas.

Considerava-me privilegiado em ter a profusão de flores de jacatirão no verão, no norte e nordeste da nossa Santa e bela Catarina, mas fico feliz de saber que o privilégio não é só nosso, que os paulistas também são abençoados pela Mãe Natureza com essas árvores generosas e majestosas.

Há, também, flamboiãs vermelhíssimos, pelos caminhos, além de primaveras enormes e muito floridas, mas nada que se comparasse aos jacatirões, que espalham suas incontáveis flores pelas florestas que se espraiam pelos lados das rodovias paulistas, paranaenses, catarinenses. E, quiçá, de tantos outros estados.

Impossível não vê-los e não admirá-los, árvores singelas e majestosas ao mesmo tempo, a balançarem seus galhos pejados de flores que vão do branco ao vermelho, algumas pendendo para o lilás.

Elas estão lá, no nosso caminho, mostrando que Mãe Natureza ainda nos ama, a nós, seres humanos, que desdenhamos tanto dela, que a menosprezamos tanto. Mas é preciso, repito mais uma vez, olhar e ver. Algumas coisas belas estão sempre ao alcance dos nossos olhos, sempre no nosso caminho e, de tão presentes, acabamos não vendo. Olhamos e não vemos. Temos de olhar e ver, para atribuir-lhes o devido valor e preservá-las, pois do contrário podem não estar mais lá amanhã.

Então, irmãos de todos os lugares, verão é tempo de jacatirão, de flamboiã, de primaveras floridas. Não deixem de vê-los. São espetáculos gratuitos e enchem os olhos e o coração.

 ............................................................................

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 36 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br – http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Parabéns a Terra da Barragem!

Ligado . Publicado em Artigos

@ Editorial

Parabéns a Terra da Barragem!

Logo jornal A Notícia do ValeCidade devia ser como as pessoas, senão, até melhores! Se cada vez ao completar idade nova pudesse refletir sobre seus atos de vida, alguma mudança, novos planos, autocrítica, crescimento. Mas como, se nem as pessoas são assim? Deviam ser, mas na maioria das vezes não são!

E cidade não é gente, depende da gente! Das nossas atitudes; de nosso zelo; de nossa atenção; de nossa vida, a partir de nossas escolhas, projetos de sustentabilidade financeira, social, política, cultural, socioambiental, entre tantos outros projetos, que se dependesse exclusivamente de uma teoria de abstração, fábula, encantamento, a própria cidade se sustentava, se administrava, se completaria por si só!

Claro, não é só Sobradinho a cidade em questão, embora seja a aniversariante de fevereiro, entre as cidades do Vale. Dirigimos-nos a todas as cidades, até porque nossas cidades sem auto sustentabilidade, e sem gestores capazes de administrá-las como elas merecem se afundam em dívidas, em problemas socioeconômicos e estruturais, e uma demanda de serviços à população que na verdade não atende aos principais interesses do povo sofrido do Vale do São Francisco.

Sobradinho tem nome mínimo, pequenino, mas é grande a sua atuação política, assim como é grande o seu potencial turístico, atraindo milhares de visitantes de várias cidades do Vale, e de outras localidades, e por ter aqui uma das maiores hidroelétricas do país, a CHESF – Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, e a “Barragem de Sobradinho”, tendo um lago artificial que é considerado o 2º maior do mundo em volume de água (espelho d’água).

E por estas e outras condições favoráveis ao turismo, ao ecoturismo e ao enoturismo, é que Sobradinho é uma terra privilegiada, e embora ainda nova, apenas 28 anos, se destaca entre as cidades do Vale. Seu potencial agrícola, de piscicultura, de aventuras, mostra uma cidade com capacidade de crescimento regional mantendo seus atrativos turísticos com responsabilidade e sustentabilidade.

Considerada “Terra da Barragem” porque foi a partir de sua construção que nasceu e se desenvolveu cada vila onde repousavam os trabalhadores daquela ousada construção - a barragem - hoje orgulho turístico da cidade. Sua emancipação foi mais que necessária e daí em diante seu crescimento político-social-econômico, que a colocou no cenário baiano e nacional como uma das cidades de grandes possibilidades e de futuro promissor.

Celebramos os seus quase 30 anos com a mesma euforia de quando se emancipou, e mesmo que seu nome seja um sobrado pequeno, como se lembrasse um livro de infância, o carinho de seu povo, por ti Sobradinho, não é apenas uma rima, é uma realidade, uma verdade, e se nota todos os dias pela cidade! Esta rima é nossa, assim como é nossa a gratidão!

           

PARABÉNS!

  

             

 

 

 

O DIA EM QUE QUASE MORRI DE VERGONHA

Ligado . Publicado em Artigos

16831121 657446961047339 4438595906431690694 n

Trabalhei quase 30 anos na radiofonia do vale sanfranciscano. De diretor, gerente, programador, locutor, apresentador de noticiários, etc, fiz de tudo.

Em uma das transmissões externas assisti a um fato que me marcou muito.

Fazendo a cobertura jornalística de um evento no bairro Santo Antônio, estando presentes o prefeito e sua equipe, vereadores, e outras autoridades de Juazeiro, ali também estava o convidado de honra, Dom Thomás Guilherme Murphy, bispo bastante carismático e querido da diocese.

Após as autoridades tomarem seus assentos foi anunciada a abertura da Sessão; momento em que todos ficaram de pé, e se perfilaram para o tradicional cântico do Hino Nacional Brasileiro! 


Postura de respeito. Silêncio. E houve então uma relutância, por um período de um a dois minutos, enquanto as pessoas se olhavam umas para as outras aguardando quem daria início; até que alguém “puxou” e os outros acompanharam... Só que, por infortúnio,alguns segundos depois as frases foram se misturando e sendo confundidas com a letra do Hino da Bandeira, do Hino do Soldado e outros, e ninguém se entendia mais!

16806639 657447027713999 6577766468398060690 nAs autoridades políticas que compunham a mesa parece, não sabiam do prosseguimento do Hino Nacional! As pessoas começaram a disfarçar vontade de rir...

Nisto, ouve-se uma voz, segura e firme, a cantar, estrofe por estrofe - embora com sotaque norte americano - o nosso Hino pátrio! Tratava-se de Dom Thomás! 

Enquanto ele cantava todo o hino os demais apenas arremedavam, tentando acompanhar a letra magistralmente pronunciada pelo digno prelado!

Naquele momento, enquanto facilitava-lhe o microfone eu me sentia envergonhado em ver um cidadão americano cantando com desenvoltura o nosso hino maior, em um evento cívico, enquanto os demais que se faziam presentes (todos brasileiros!) não lembravam ou não sabiam a letra!


Nunca mais esqueci isto.


(Foto 1:  Dom Thomás, o terceiro sentado, à esquerda. foto 2 : Dom Thomás, batina branca. No extremo direito, eu, também de roupa branca rsrsrs)

Jota Mildes

Ladrões de seu dinheiro

Ligado . Publicado em Artigos

imagem release 696358No começo deste milênio, o forte aumento do consumo da China provocou a explosão, entre 2002 e 2010, dos preços dos minérios e das commodities alimentícias que o Brasil exporta. Assim, uma enxurrada de dólares ingressou no país e as reservas internacionais atingiram US$ 370 bilhões, mais que nossa dívida externa. Lula pagou US$ 30 bilhões que o Brasil devia ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e faturou politicamente (aliás, foi um mau negócio, pois a taxa de juros era de 3% ao ano e a dívida não estava vencida).

Após 2010, o bom quadro internacional se inverteu e a euforia acabou. Veio a crise financeira mundial de 2008, a China entrou em retração, os preços das exportações retrocederam, Dilma cometeu erros, e o Brasil entrou em recessão. O Produto Interno Bruto (PIB) terminará 2016 em torno de 7% menor que o PIB de 2013, e a população segue aumentando em 7,2 milhões a cada mandato presidencial de quatro anos. É nesse cenário que perigosos ladrões estão levando seu dinheiro, principalmente se você for assalariado. Destaco quatro deles.

O primeiro é a inflação. Em 2015, a inflação oficial fechou em 10,67%. Os preços sobem quando o governo emite moeda, seja fabricando cédulas ou expandindo os meios escriturais bancários. A inflação é o maior inimigo de seu dinheiro. Ela corrói o poder de compra dos salários e desvaloriza os ativos das pessoas. A inflação é uma das causas de empobrecimento. Os ricos se defendem dela; os pobres não.

Depois vêm os impostos. Em 1985, o presidente Sarney reclamou que a carga tributária era de “apenas” 21% da renda nacional. Ao fim do governo Fernando Henrique, em 2002, os tributos comiam 32,6% de toda a renda do país. Lula elevou a carga para 36%. No atual ritmo, em dois anos chegaremos a 40%. Mais impostos significam menos renda pessoal disponível. É você mais pobre.

Em terceiro lugar, há o FGTS. O saldo na conta do FGTS é uma via pela qual o governo está comendo seu patrimônio (se você for trabalhador assalariado). A taxa de juros que o governo paga sobre o FGTS é de 3% ao ano, mais a Taxa de Referência (TR). A TR é manipulada e anda próxima de zero. Somente no ano passado, quando a inflação foi de 10,67%, o FGTS rendeu menos de 4%. Ou seja, você “entregou” ao governo quase 7% de seu patrimônio somente em 2015. No longo prazo, seu dinheiro no FGTS será dilapidado. Isso só não acontecerá se a inflação anual ficar abaixo de 3% ao ano. Alguém acredita?

Por fim, vem a Previdência Social. O trabalhador paga até 11% de seu salário para o INSS (limitado ao teto-base de R$ 5.189,82). O patrão paga mais 20%, não do teto, mas sobre o salário total. Nos últimos tempos, você foi informado que a Previdência Social faliu. Se não for funcionário público com direito a aposentadoria igual ao salário integral, não espere que o governo vá cuidar de você na velhice. No passado, o teto do INSS chegava a dez salários mínimos, isto é, R$ 8,8 mil em 2016. Acabou! O teto atual é de apenas 59% desse valor, ou seja, pouco mais de cinco salários mínimos.

Diante de tal quadro, o que fazer? Primeiro, não esperar ajuda nenhuma do governo. Segundo, saber que os ladrões de seu dinheiro continuarão agindo. Terceiro, buscar educação financeira para defender-se dos ataques. Quarto, montar seu plano financeiro, construir suas próprias reservas e cuidar de seu futuro. Ou faz isso, ou sua velhice poderá ser dura e triste.

José Pio Martins, economista, é reitor da Universidade Positivo.

A vingança

Ligado . Publicado em Artigos

anonymus 1235169Deixe estar.

Deixe comigo.

Ela vai se ver quando tudo isso terminar.

O tempo passou e, um dia, no mais inusitado dos lugares, eles se reencontraram:

“Lembra-se de mim?”

- Infelizmente não me lembro, senhor. De onde nos conhecemos?

“Não acredito que você simplesmente pode me dizer que não nos conhecemos.”

A moça começou a ficar assustada com a insistência do desconhecido.

Sem saber o que fazer, ela pediu licença, passou por ele e foi para um ponto da loja onde não seria vista:

- Não faço ideia de onde aquele senhor me conhece.

Nessa hora, bem nessa hora, seu chefe entrou no estoque procurando por ela:

“Bianca, tem um senhor lá fora procurando por você.”

- Ele está me perguntando se o conheço. Acredito que nunca o vi, mas ele insiste em que o conheço. Estou com medo.

“Vamos lá esclarecer isso uma vez por todas. Eu vou com você.”

Eles saíram.

- Aqui está, senhor. Vamos esclarecer essa situação logo.

O senhor em questão olha a moça da cabeça aos pés e começa:

“Então seu nome é Bianca?”

- Sim senhor – disse a moça como se segura estivesse.

“Tem certeza de que nunca me viu?”

- Senhor, acredito perfeitamente que nunca nos encontramos.

Ele sorriu placidamente e começou:

“Você foi ao casamento do Glauco e da Sandra?

- O Glauco filho da dona Carmen e a Sandra filha do Sr. Amaro?

“Isso mesmo. É de lá que nos conhecemos.

- Ah! Assim, O senhor já estava me assustando.

“Desculpe-me, não foi minha intenção.”

O chefe, observava em silêncio o diálogo.

A moça mais calma olha atentamente para o senhor bem vestido á sua frente:

- Por acaso o senhor é o moço que derramei quatro litros inteiros de refrigerante no casamento?

“Sim, sou eu mesmo.”

A moça fica vermelha como se de cera fosse:

- Sempre quis me desculpar. Naquela noite, depois de derramar o refrigerante fiquei tão sem graça e com tanta vergonha, que fui embora na mesma hora. O senhor pode me perdoar?

O moço que passara o último ano procurando aquela bela distraída, responde:

- Claro que desculpo, desculpo sim.

Bia começou a sorrir aliviada.

Foi quando ouviu:

- Eu desculpo, mas vou precisar de um favor seu.

“Pode pedir, Senhor. Vou ficar muito feliz em saber que fui desculpada pelo senhor. Pode falar.”

O moço abriu um sorriso satisfeito e começou:

- Aquela era uma noite muito importante pra mim. Era o casamento da minha filha mais nova e eu estava muito feliz. Aí, de um minuto para o outro, me vi completamente encharcado no meio da festa. Absurdamente molhado e grudando. Afinal, você derramou, na minha cabeça, quase quatro litros de refrigerante.

A moça coitadinha, ao ouvir o relato foi se encolhendo, encolhendo, querendo sumir.

“O que posso fazer para ser desculpada?”

- O que eu vou pedir pode soar estranho, mas vai ser o único jeito de me fazer esquecer tudo que aconteceu naquela noite.

“Pode dizer. O que o senhor quer?”

Ele deu um suspiro, como quem está prestes a dizer o maior de todos os absurdos e começa:

- Meu objetivo era me vingar, ele disse sorrindo. Mas não se preocupe, eu não desejo o mal.

Eu só quero que você se arrume com aquele vestido vermelho que você estava no casamento.

Vista-se do jeitinho que estava aquela noite e vamos a um casamento no sábado comigo. Pode ser?

Ela, mesmo achando tudo muito estranho, rapidamente respondeu:

“Claro!”

E, no sábado, ela, toda bonita, arrumada e perfumosa, chegou ao lugar da festa.

Foi recebida pelo senhor, também muito bonito, que a colocou para dentro da festa.

Lá pelas tantas, quando ela nem se lembrava mais o que fora fazer ali, o moço a convidou para ir até um canto da pista de dança.

Ela foi.

Quando chegaram lá, ele falou:

- Lembra que você está aqui como parte de uma vingança?

A moça ficou pálida, mas manteve a pose:

“Claro!”

- Então, não corra. Com a sua licença.

Dizendo isso ele derramou diretamente na cabeça da moça 40 litros de refrigerante.

Ela tomou o banho de refrigerante, sem correr ou reclamar.

Quando a última gota caiu em seus cabelos ele veio correndo com uma toalha na mão:

- Bianca, ali tem um banheiro onde você pode tomar banho e trocar de roupa. Á porta tem um carro que poderá levar você para casa. Muito obrigada por deixar que eu lavasse minha alma.

A moça ensopada foi conduzida gentilmente até onde poderia tomar um banho e se trocar.

E o senhor vingativo agora estava livre para esquecer aquela história para sempre.

 

Vivi Antunes é ajuntadora de letrinhas e assim o faz às segundas, quartas e sextas no www.viviantunes.wordpress.com