PT vende camisetas com o rosto de Lula para financiar campanha

Escrito por Luiz Washington . Publicado em Nacional

20171213193859697511aO rosto do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva foi estampado em uma coleção com, pelo menos, cinco modelos diferentes. Cada peça custa R$ 30, e elas serão vendidas até 2018. O dinheiro arrecadado vai ajudar na campanha da estrela petista, que deve concorrer à Presidência nas próximas eleições.
Com as mudanças da reforma política, candidatos podem confeccionar brindes como camisetas, bonés e chaveiros, por exemplo, e converter o lucro das vendas em dinheiro para campanha. Até agora, o PT é o único partido a personalizar o material, vendido nesta quarta-feira (13/12) em um comício no Teatro dos Bancários, em Brasília.
O bacharel em Direito Alexandre Marques (foto) foi um dos que comprou a lembrança. “Eu achei ótimo, e é bom que foi o próprio PT quem confeccionou e é quem vende. Além de comprar algo que eu gosto, já estou ajudando o meu partido”, afirmou ao Correio.
No evento desta noite, dirigentes do PT devem discursar antes do ex-presidente. Entre os nomes confirmados estão o senador Lindbergh Farias (RJ) e as deputadas Benedita da Silva (RJ) e Érika Kokay (DF).
 

Julgamento de Lula ne segunda instância é marcado para 24 de janeiro

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) vai julgar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 24 de janeiro. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da Corte. Os desembargadores da 8ª turma vão analisar um recurso apresentado pela defesa de Lula em relação a condenação em primeira instância determinada pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.
Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão no âmbito da Operação Lava-Jato. O ex-presidente é acusado de ser o proprietário de um tríplex no Guarujá, em São Paulo, que teria sido reformado pela construtora OAS, envolvida no esquema de corrupção que envolveu a Petrobras. A defesa do ex-presidente nega que ele seja o proprietário do imóvel. 
Se a condenação for mantida, Lula pode ser preso, por conta da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que permite o cumprimento de pena a partir de condenação em segunda instância da Justiça. O político pode ficar ainda inelegível, com base na Lei da Ficha Limpa, que pune políticos condenados em decisão por tribunal colegiado.
 
braziliense

Governo desiste de votar reforma da Previdência em 2017

Escrito por Luiz Washington . Publicado em Nacional

 
20171213175302170402aLíder do governo, o senador Romero Jucá diz que há acordo com os presidentes da Câmara e do Senado para que a votação ocorra em fevereiro.
 
O governo decidiu deixar a reforma da Previdência para fevereiro de 2018. A decisão veio depois de o presidente do Congresso Nacional, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), resolver votar a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2018 na noite desta quarta-feira (13/12). A intenção do governo era que a votação ocorresse na próxima terça-feira (19), garantindo, assim, o quórum necessário para a aprovação da reforma na Câmara, onde são necessários 308 votos.
Com a mudança na agenda implementada por Eunício, a votação da reforma ficaria esvaziada, avaliou o governo. Restou aos aliados do presidente Michel Temer jogarem a toalha para a aprovação em 2017 e tentar mudar as regras de aposentadoria no início do ano legislativo de 2018.
O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), confirmou que foi feito um acordo entre os presidentes da duas Casas para que a votação ocorra em fevereiro. "O acordo foi feito em conjunto com o governo”, informou o parlamentar por meio de sua assessoria. O Planalto afirmou que não comentará o episódio
Após o anúncio de Eunício, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) reabriu a sessão e aprovou em tempo recorde o relatório da LOA, elaborado pelo deputado federal Cacá Leão (PT-BA). A proposta será encaminhada ao Plenário para ser apreciada na sessão de hoje, marcada para às 21h.

Uma derrota para o governo 

Nas últimas semanas, o Planalto se esforçou muito para que a reforma fosse aprovada ainda este ano ao menos na Câmara dos Deputados. O presidente Temer e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se envolveram pessoalmente, organizando reuniões e jantares com lideranças da base aliada
Para o governo, além de dar uma importante sinalização ao mercado e favorecer a recuperação econômica, a aprovação em 2017 era considerada menos difícil. Avalia-se que muitos deputados terão receio de apoiar a medida, rejeitada por grande parte da população, especialmente por servidores públicos, em um ano eleitoral.
 
Braziliense

O que faz um Pedagogo?

Escrito por Luiz Washington . Publicado em Nacional

childcareDescubra em quais áreas um pedagogo pode atuar e como é o trabalho deste profissional na prática!

pedagogo é o profissional que atua em processos relacionados ao ensino e aprendizagem. Seu trabalho está intimamente ligado ao do professor e é considerado como um apoio educacional.

Ele é especialista em educação e associa o aprendizado às questões sociais e à realidade em que o estudante se encontra. Desta forma, o pedagogo contribui para a qualidade do ensino e aprendizado, fortalecendo a construção do conhecimento.

Quem opta por seguir carreira em Pedagogia deve ter vocação para ensinar, ser paciente e gostar de lidar com crianças e adolescentes.

Conheça um pouco mais sobre o trabalho deste profissional, em que áreas ele pode atuar e quais atividades um pedagogo desempenha.

O que faz um Pedagogo?

Um profissional formado em Pedagogia pode atuar como professor dos primeiros anos do ensino fundamental. Pode também atuar na pré-escola, como professor ou auxiliar de sala.

Fora das salas de aula, o pedagogo também encontra oportunidades de emprego em ambientes escolares e não-escolares. Conheça um pouco mais sobre algumas das áreas onde um pedagogo pode atuar.

Gestão Escolar

No ambiente escolar, além de ministrar aulas, o pedagogo pode atuar também na área de gestão, desempenhando diversas tarefas de gerenciamento, tais como:

  • Organizar o calendário letivo, estipulando datas para os diversos eventos escolares.
  • Estipular os horários dos professores em sala de aula e organizar as atividades de planejamento de ensino.
  • Planejar e organizar atividades culturais.
  • Organizar e coordenar conselhos de classe.
  • Desenvolver projetos pedagógicos de educação básica, coordenar a execução e avaliar o andamento destes projetos.
  • Coordenar reuniões pedagógicas com pais de alunos.
  • Promover a integração entre a escola e a família do estudante, através de eventos nos quais a família possa participar e conhecer o trabalho desenvolvido pela escola.
  • Coordenar reformas curriculares, definindo que tipo de conhecimentos e competências os alunos devem adquirir em cada etapa do ensino regular.

Educação Especial

Em educação especial o pedagogo lidará com alunos portadores de necessidades especiais, ou que possuem alguma limitação de aprendizado (cegueira, dislexia, autismo, surdez, etc.). Nestes casos, deverá ministrar aulas utilizando técnicas diferenciadas de ensino, para que estes alunos sejam capazes de compreender o conteúdo ensinado.

O pedagogo procura adequar os métodos de ensino e também os materiais didáticos utilizados no aprendizado destas crianças.

Pedagogia Empresarial

Em uma empresa, o pedagogo atua na área de gestão de pessoas. É responsável pelo treinamento e desenvolvimento de pessoal.

O maior objetivo do pedagogo empresarial é provocar mudanças comportamentais nos colaboradores de acordo com a missão da empresa.

Para isto, o pedagogo aplica técnicas pedagógicas no ambiente corporativo, garantindo que os colaboradores se sintam acolhidos e possuam os conhecimentos necessários para a prática de sua profissão.

A cada nova mudança nos procedimentos da empresa, o pedagogo é responsável por elaborar e executar o treinamento dos colaboradores.

Também faz parte da rotina do pedagogo coordenar equipes multidisciplinares no desenvolvimento de projetos.

Pedagogia Hospitalar

A Pedagogia Hospitalar cuida da educação de crianças e jovens enfermos. O pedagogo elabora ações educacionais para os pacientes, respeitando suas limitações e as condições em que se encontram.

Hospitais contratam pedagogos para executar estes planos educacionais durante o tempo em que as crianças e jovens ficam internados.

Um dos objetivos destas ações é acompanhar e ocupar estes pacientes para que a experiência da internação não seja tão traumática. Outro objetivo é que o paciente não fique muito atrasado em termos de conteúdo e que a doença não prejudique seus estudos.

Além de trabalhar em hospitais e clínicas, o especialista em Pedagogia Hospitalar também pode prestar atendimento domiciliar a crianças que estejam impedidas de ir à escola por motivo de doença.

O profissional precisa adaptar as estratégias de ensino para cada paciente, respeitando suas limitações, que podem ser de natureza motora ou sensorial. O profissional deverá buscar técnicas de aprendizado mais lúdicas para atrair a atenção do paciente.

Além do apoio educacional, o pedagogo presta uma assistência emocional e humanística, no intuito de proporcionar uma recuperação mais tranquila à criança.

Orientação Educacional

Na área de Orientação Educacional, o pedagogo trabalha com alunos e professores.

No que diz respeito aos alunos, o pedagogo trabalha em parceria com os professores para compreender a realidade de cada estudante, suas características e possíveis dificuldades de aprendizagem. Conversa individualmente com cada aluno a fim de orientá-lo sobre como melhorar seu desempenho escolar.

Com os professores, o pedagogo realiza um trabalho de supervisão procurando orientar os professores sobre como organizar suas aulas e lidar com alunos desatentos e dispersos. Também ajuda o professor a criar e aplicar métodos de ensino adaptados para a realidade de cada aluno.

Indústrias de Brinquedos

Em indústrias de brinquedos, o pedagogo atua juntamente com a equipe de desenvolvimento a fim de adequar o produto a faixa etária que desejam atingir.

Produção de Material Pedagógico

Um pedagogo pode atuar no desenvolvimento de material pedagógico para a educação infantil. Isto compreende escrever livros didáticos e também desenvolver todo tipo de instrumentos, brinquedos e jogos que possam auxiliar na aprendizagem do aluno.

Além de desenvolver materiais para a educação infantil, o pedagogo pode atuar na produção de material para as outras séries do ensino regular. Neste caso, ele irá atuar junto ao professor da área específica de conhecimento (Português, Ciências, Matemática, etc.). O pedagogo faz revisão de textos didáticos e orienta a organização dos conteúdos nos livros didáticos.

Também auxilia na construção de materiais diversificados, esclarecendo sobre o processo de aprendizagem do aluno, como ele fará uso daquele material específico, se está de acordo com a faixa etária do aluno e com o conhecimento que o professor deseja transmitir.

 

Fonte: guiadacarreira/Foto: Divulgação

Alckmin é eleito no PSDB, mas terá de disputar prévias

Escrito por Luiz Washington . Publicado em Nacional

20171210083839422763oEleito por 470 votos dos 474 possíveis, o governador de São Paulo é o novo presidente do PSDB. Além da disputa interna, terá de convencer tucanos a aprovar Reforma da Previdência.

Novo presidente por consenso do PSDB, Geraldo Alckmin assumiu ontem, durante convenção, um partido que ainda precisa lamber várias de suas feridas para retomar o protagonismo na disputa nacional. Alckmin recebeu 470 dos 474 votos possíveis dos delegados, mas não escapará de enfrentar prévias internas com o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, para concorrer ao Planalto em 2018. Defendeu, pessoalmente, o fechamento de questão em torno da reforma da Previdência, mas precisará convencer a bancada de deputados de que esse é o melhor caminho. E ainda precisará construir a própria candidatura, estacionada, até o momento, em 6% das intenções de voto em todas as pesquisas.

“Temos a competência para ajudar o Brasil. O país vive uma ressaca. Descobriu que a ilha da fantasia do PT nunca foi a terra prometida. A ilusão petista acabou em pesadelo na maior crise moral e ética de nossa história”, acusou o governador, lembrando que o atual governo — do qual o PSDB ainda faz parte, já que apenas Bruno Araújo (PE) e Antonio Imbassahy (BA) entregaram os cargos — assumiu com as contas públicas desgovernadas. Ressaltou o papel do PSDB na aprovação das reformas trabalhista, tributária e, agora, previdenciária. “Eu, pessoalmente, defendo o fechamento de questão a favor da reforma. Mas marcarei uma reunião da Executiva com a bancada, nesta semana, para debatermos isso”, prometeu, lembrando que fez a mesma reforma, a nível estadual, em 2011.

Foi a única menção de Alckmin ao governo. Ele não falou nada sobre o PMDB, legenda que resiste, pelo menos a curto prazo, a alinhar-se aos tucanos. Exceção feita ao presidente do partido, Romero Jucá (RR), que defende uma decisão somente no último instante para se coligar com os tucanos. “Esse não é o momento de falarmos em coligações. Só falaremos disso após a definição das candidaturas”, desconversou Alckmin.

Adversário do governador nas prévias internas, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, disse que “não aceitará qualquer tipo de aliança com o PMDB”. Em um ponto, os dois concordam: é preciso combater o PT. “Os brasileiros estão vacinados contra o lulo-petismo. Lula quer voltar ao poder, quer voltar à cena do crime. As urnas condenarão Lula pelo desgoverno, pelos 14 milhões de desempregos. Ele jogou brasileiros contra brasileiros e a nossa autoestima, pela janela”, disse Alckmin.

O governador paulista, que enfrentou o mesmo Lula em 2006, terminando o segundo turno com menos votos do que obteve no primeiro, disse que, se ambos se encontrarem novamente, “será um bom tira-teima”. Um dos maiores problemas, àquela época, foi a insegurança passada pelo próprio tucano no discurso sobre privatizações. Provocado pelo discurso petista, ele chegou a posar, no segundo turno, com um macacão repleto de adesivos de empresas estatais. “Eu sou favorável à privatização da Eletrobras. Tanto que vou privatizar a Cesp no início do ano que vem. Sou favorável às privatizações, às concessões e as PPPs”, enumerou ele.

Raciocínio x emoção

Embora os discursos ufanistas tenham triunfado em diversos momentos, coube ao ex-presidente Fernando Henrique trazer o partido para a realidade. “Nesse momento, é preciso não ter apenas raciocínio, mas emoção. É triste para muitos de nós que lutamos pela democracia o desastre que vivemos. Temos de ter a humildade de admitir que nós também erramos. Precisamos voltar a escutar o discurso do povo, o discurso rente ao chão”, defendeu FHC.

Segundo o ex-presidente, que retomou o seu perfil de sociólogo para debater assuntos como drogas e violência em comunidades carentes, o PSDB precisa reengatar a vida. “O Brasil é desigual e o PSDB tem que entrar no debate concreto do negro, da mulher. Senão ficará falando para a academia”, completou. Arthur Virgílio concordou: “Não nos iludamos que isso (a convenção) não espelha o Brasil. O Brasil nos repudia. Precisamos cortar na própria carne e punir os nossos. Precisamos de menos charanga e correr mais o país para assumir que o partido errou”, criticou.

Tentando aparar arestas internas e o desgaste sofrido após se apresentar como opção ao Planalto no ano que vem, o prefeito de São Paulo, João Doria, atuou quase como um apresentador de um programa de auditório durante o próprio discurso. “Em São Paulo, arrasamos o PT, não existe mais o cinturão vermelho. Quero dar meu apoio a Geraldo Alckmin não apenas para presidente do partido. Quero que a militância aplauda, de pé, o futuro presidente do país: Geraaaldoo Alckmiiinn”, pediu, quase em êxta

Confronto entre militantes do DF

Os sinais explícitos de que o PSDB é um partido que vive um momento de tensão se deram em três momentos: no mais grave deles, militantes do PSDB do Distrito Federal favoráveis ao governador Rodrigo Rollemberg quase saíram no braço contra partidários do deputado Izalci Lucas. Rollemberg, que chegou a ir à convenção tucana a convite do governador Geraldo Alckmin, foi vaiado quando entrou no salão e optou por não permanecer no recinto.

O quase confronto físico entre militantes brasilienses se deu em outro instante, em torno de uma faixa favorável ao governador. O clima esquentou e algumas cadeiras começaram a voar. “Parem com isso, porque isso denigre nossa defesa de unidade do partido”, berrou o senador Tasso Jereissatti (CE). “Desculpem por levantar a voz, mas neste momento ,isso é preciso”, justificou. Por diversas vezes, militantes ligados a Izalci, inclusive um papai-noel de bermuda vermelha, gritavam o nome do deputado federal, apoiando a candidatura dele ao Palácio do Buriti.

Quem também se viu obrigado a permanecer pouco tempo na convenção foi o ex-presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG). Antes de entrar no salão, ele defendeu a unidade interna do partido, a votação a favor da Previdência e disse acreditar que Alckmin tem condições para conduzir a legenda nesse instante. Quando adentrou ao recinto, foi vaiado e resolveu ir embora. Durante a entrevista após a convenção, Alckmin destacou a atuação de Aécio como senador, governador de Minas e candidato ao Planalto em 2018, mas lembrou que ele precisa “cuidar da própria defesa”.

Adversário de Alckmin em prévias internas ao Planalto que devem acontecer em janeiro, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, também foi vaiado ao dizer que tem todas as condições de derrotar o governador de São Paulo. Mas conseguiu reverter os ânimos contrários e acabou sendo aplaudido. “Faremos uma catarse desse partido que precisa ter a coragem de mudar. Vaiem o Bolsonaro, aquele homofóbico. Sou a favor do amor e do casamento homoafetivo”, confessou. (PTL)

PPS apoia Previdência

O diretório nacional do PPS fechou questão a favor da reforma da Previdência, que tem como relator o deputado Arthur Maia, filiado ao partido. Foi o primeiro partido que não faz parte da base de apoio ao governo federal, a aderir às mudanças nas regras da aposentadoria. Os dois que tomaram essa decisão anteriormente foram o PTB e o PMDB. O presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), afirmou, ao chegar à convenção do PSDB, que alguns deputados tinham adiantado a ele que, “se o partido fechasse questão, votariam alinhados à legenda”. Mas as divergências entre a bancada e a cúpula partidária foram explicitadas na própria reunião do diretório. Apenas dois deputados se colocaram a favor da mudança nas regras da aposentadoria e seis não compareceram ao encontro.

Braziliense/Foto: Divulgação

Entenda os desafios que o governo enfrentará para aprovar a Previdência

Escrito por Luiz Washington . Publicado em Nacional

20171208020505830291aNo Congresso Nacional, alguns não entendem o porquê de se apressar uma discussão que, teoricamente, poderia ficar para o ano que vem ou mesmo para 2019.
 
Caso o governo realmente queira colocar a reforma da Previdência em votação ainda este mês, terá que superar obstáculos que vão além da contagem de votos. No Congresso Nacional, alguns não entendem — ou fingem não entender — o porquê de se apressar uma discussão que, teoricamente, poderia ficar para o ano que vem ou mesmo para 2019, embora praticamente todos tenham a convicção de que o assunto precisará ser retomado em breve caso não vá para a frente. A justificativa é puramente econômica. O governo conta com a reforma para começar 2018 com as contas mais bem encaminhadas. As mudanças nas regras previdenciárias não têm efeito imediato e, nem de longe, resolvem o problema fiscal do país. Mas sinalizam que o caminho é de estabilizar o deficit, o que já dá um alento aos cofres públicos.
Por isso, o governo faz questão de manter o assunto em alta, nem que seja para mostrar engajamento ao mercado financeiro. A simples possibilidade de que a reforma fique para depois gera reações imediatas na bolsa de valores, como as que foram presenciadas ontem: pessimista com o apoio ainda insuficiente à reforma e a falta de uma data específica, o principal índice da bolsa, o Ibovespa, fechou em queda de 1,07%. De manhã, as perdas chegaram a 2,61%. No dia anterior, quando o PMDB fechou questão sobre a reforma, o efeito foi o contrário: o índice subiu 1%.
“O momento é de organizar a base, e o mercado reage com mais ou menos ansiedade aos fatos políticos. O ideal é aprovar agora na Câmara e já iniciar o próximo ano discutindo no Senado”, disse ontem o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Eduardo Guardia, em evento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) realizado no Rio de Janeiro.
Também ontem, o Tesouro Nacional analisou a capacidade de pagamento dos estados de acordo com três indicadores: endividamento, poupança corrente e liquidez. Dois dos estados que mais têm sofrido com problemas previdenciários, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, tiveram as piores notas. Com a reforma da Previdência, a ideia é que os sintomas de alto endividamento, desequilíbrio entre receitas e despesas correntes, e falta de caixa para honrar obrigações não se estendam a toda a União.
Segundo Guardia, “não tem saída, tem que aprovar a reforma”. “Já temos um gasto alto, o mercado sabe disso e olha para isso”, completou. O único cenário possível é o de que a reforma seja votada em breve. “O governo está preparado para aprovar e não trabalhamos com o cenário de não aprovar a reforma”, disse.
Mas, para isso, além de emplacar o discurso de crescimento econômico, é preciso fazer o pouco tempo disponível render. Deixar a votação para a última semana é arriscado, porque há a possibilidade de que o Congresso Nacional já esteja esvaziado a partir do meio da semana, como é costume na véspera de recesso. Esse é um risco que o governo terá que enfrentar, e uma pauta que certamente precisará entrar nas conversas com os deputados, para garantir presença máxima.
Na visão do Executivo, o esforço é válido. É consenso que, se deixar para retomar o assunto no ano que vem, dificilmente se conseguirá aprovar alguma coisa na Câmara, em pleno ano eleitoral. Está mais disposto a encarar os deputados agora, que eles já estão preparados para as investidas, do que forçar a discussão em meio às eleições. No Executivo, a filosofia é de que se vota “agora ou nunca”, já que, depois de muito tempo adormecido, o tema voltou à cena com dedicação total das lideranças mais importantes: o presidente Michel Temer e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Por isso, o governo não hesitou em abraçar os “balões de ensaio” que surgiram ao longo das últimas semanas. A ordem é deixar o tema mais em alta possível.
"O momento é de organizar a base, e o mercado reage com mais ou menos intensidade aos fatos políticos. O ideal é aprovar agora na Câmara e já iniciar o próximo ano discutindo no Senado"

Eduardo Guardia, secretário executivo do Ministério da Fazenda
Braziliense