Colocando a culpa no prefeito Misael, que segundo ele “reuniu a comunidade e diz que não quer mais a ponte, assim que a ponte vai ser assada”, Lula, para os 255 agricultores e mais quinhentas pessoas vindas em ônibus de Juazeiro e de outros municípios, ao entregar os primeiros lotes da 1ª etapa do Projeto Salitre, disse que “só tem sentido a gente terminar a obra da ponte com a conclusão dos 9 quilômetros que você quer, porque senão você vai apenas aumentar o tamanho do picolé” – arrematou, fazendo referência à reivindicação do Prefeito Isaac de Juazeiro que comparou a parte baiana da ponte Presidente Dutra sobre o São Francisco com um picolé.
Antes da entrega simbólica dos lotes aos produtores beneficiados, Lula e a comitiva, composta do Governador Jaques Wagner da Bahia, do governador em exercício de Pernambuco, João Lyra Neto, da Ministra da Casa Civil Dilma Roussef, do Ministro da Comunicação Social Franklin Martins e do Ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima, além de deputados federais da Bahia e Pernambuco, secretários estaduais, do Prefeito Júlio Lóssio de Petrolina e Isaac Carvalho de Juazeiro, visitou a EB 100 – Estação de Bombeamento 100, nas margens do São Francisco.
De excelente humor, Lula brincou com os fotógrafos do outro lado do canal: “Quem de vocês vai se jogar aí na água? – perguntou e ao ouvir a sugestão de um repórter que ele poderia pular ele disse “não sei nadar meu filho” e perguntou: “Será que se eu empurrar a Dilma ela vai?”, evidentemente com segundo sentido.
As cobranças de Isaac
Lembrando que “as promessas do Projeto Salitre sempre repetem a quase meio século”, Isaac, chamando Lula de “O Filho do Brasil, que entende a linguagem do povo, que sente a dor que o povo sente e que sabe o que precisa ser feito para o povo ser feliz”; focou pouco tempo nos agradecimentos e mensagem escrita e depois de agradecer ao Governador Wagner e à Ministra Dilma “as duas mil e quinhentas casas do Projeto Minha Casa, Minha Vida e o saneamento básico”, Isaac não perdeu tempo: “Entrego hoje a Vossa Excelência o Projeto do Anel Viário, sem esse projeto não resolvemos o problema de Juazeiro, já aprovado pelo DNIT.” E continuou: “Vou entregar aqui também uma reivindicação do Instituto da Fruticultura”.
Os pedidos foram recebidos por Lula com simpatia e bom humor: “Pensei que ao entregar os lotes e o Projeto Salitre ia deixar o prefeito emocionado, mas ele não se emocionou. Fez foi pedir mais. Para vocês terem uma idéia a pequena coisa que ele agora pede, custa a bagatela de 90 milhões de reais. Mas, gosto quando os prefeitos pedem” – disse.
O representante dos agricultores
Osmar Miranda dos Santos foi o agricultor escolhido para falar pelos beneficiados com os lotes. “Sou Osmar Miranda dos Santos, nascido e criado no Salitre, tenho 47 anos e tenho a honra de ser agricultor” – leu e depois de agradecer ao Presidente e “a toda a equipe da Codevasf, em nome dos produtores contemplados” ele arrematou: “Nosso eterno lucro será a oportunidade que nos foi dada com esse projeto”.
Após a fala de Osmar Miranda o Ministro Geddel Vieira Lima e Roberto Schimt, Presidente do Banco do Nordeste do Brasil assinaram a primeira nota de crédito para o produtor , João Carlos de Vieira Sena, proprietário de lote no Projeto Salitre.
Geddel quase sem citar o nome do Governador
Com exceção da saudação protocolar, quando rapidamente citou o nome de Jaques Wagner, o Ministro Geddel não voltou a citar o nome do governador da Bahia.
“Queridíssima Ministra Dilma, que tem feito tanto por esse país e de quem o Brasil ainda tanto espera em futuro próximo” – disse Geddel à guisa de saudação para a Ministra na única oportunidade em que deixou entrever política na festividade.
Lembrou das dificuldades para a inauguração do projeto: “Este ato traz embutidos muitos emblemas e talvez o primeiro deles seja mostrar a perseverança da nossa gente, a crença dos homens e mulheres no Brasil, mas traz também embutida a responsabilidade do nosso governo no trato com a coisa pública”.
Lembrou que o projeto foi idealizado “ainda no tempo da Sudene de Celso Furtado e da FAO da ONU” e disse que certamente alguns dos que aqui estão e outros que não mais estão com a gente devem ter imaginado: será que esse sonho algum dia se tornará realidade?”
Para ele o sonho se tornou realidade graças ao “entendimento desse homem que vindo daqui de perto, conquistou nosso país com a mensagem de que era chegado a hora do governo trabalhar para quem realmente precisa”, referindo-se ao Presidente Lula.
Ao terminar diz que "chegamos à convicção de que esse Estado quer mais, este País quer mais e sob o comando do Presidente Lula sempre terá mais”.
Dilma e o sentimento de vitória
Dilma cumprimentou cada um dos presentes no palanque e foi a única que citou os deputados nominalmente, incluindo Joseph Bandeira e o “meu querido Zezéu”. Dirigiu “um cumprimento especial ao prefeito Isaac Cavalcante, que além de ter capacidade de administrar, mostra uma capacidade muito grande de reivindicar, o que é muito bom para Juazeiro”.
“Estamos inaugurando aqui um novo caminho, que nós vamos continuar e vamos perseguir” – disse ela em relação ao Projeto Salitre e concluiu: “Há um sentimento muito grande de vitória, de vitória coletiva, não de um só, de todos nós que estivemos envolvidos nesse processo”.
Prometeu que colocou no PAC as etapas seguintes do Salitre e isso significa, segundo ela, “que não vi faltar dinheiro, que não vi faltar empenho, que não vi faltar trabalho coletivo de todos nós”.
Wagner também com os pedidos
O governador da Bahia endossou os pedidos do Prefeito Isaac e se comprometeu a contribuir com uma parcela e reforçou: “aproveitar aqui e pedir para colocar no nosso orçamento a Adutora do Algodão para a região de Guanambi e a adutora do Feijão para o reforço de Mirorós”.
Terminou dirigindo-se a Lula: “Certamente se não fosse o senhor o presidente desta República neste últimos sete anos, nem Salitre, nem integração de bacias sairia porque poucas pessoas teriam a capacidade como o senhor tem, de ter feito este abraço dos baianos com outros nordestinos de todos os rincões e fazer do São Francisco, não razão de disputa entre nordestinos, mas o rio da integração nacional”.
Texto de Manoel Leão